Milla concedeu uma enorme entrevista para a equipe espanhola da revista Grazia, que está presente na edição de abril. Você pode conferir as scans no link abaixo. Estaremos em breve também, publicando a tradução da entrevista. Aguardem!
A Milla de Ouro
Milla Jovovich passeia tranquila e sorridente. Estamos em Nova Iorque, onde esta atriz, cantora, modelo e estilista protagoniza uma sessão fotográfica para a Marella, grife italiana o qual colabora na produção de uma coleção exclusiva. Numa pausa das câmeras, ela conta que este ano Ever Gabo, sua filha de quatro anos, foi pela primeira vez ao colégio. Faz um tempo em que contraiu um pouco a sua magnífica carreira para dedicar-se à sua filha, e parece que o mundo deixará novamente de ser suficiente para esta mulher. E ainda conta à GRAZIA:
Parece que teremos um sexto filme de Resident Evil… Desse jeito, acabará sendo a franquia mais comprida dos cinemas.
Meu marido (roteirista e diretor do filme, Paul W.S. Anderson, “ideólogo” dos filmes inspirados nos jogos eletrônicos) ainda não o escreveu, mas é verdade de que pretende finalizar a série e, de fato, será a última continuação. Mas mesmo assim é a franquia mais larga… com protagonista feminina. E me parece fascinante, porque normalmente são os homens que conseguem os papéis de durões e quem sempre salvam o mundo nas telas.
É isto que te atrai? O mundo precisa ser salvo?
Sim. Quando comecei no cinema desde O Retorno à Lagoa Azul, embora eu não tenha nada contra ele, a seguir tudo o que me ofereciam para interpretar eram papéis de modelo, garota encantadora ou a noiva perfeita… E a verdade é que não parecia ser o mais adequado para mim. Sempre senti mais interesse nas mulheres fortes. O que mais me aprecia em Resident Evil é que, pela primeira vez, as mulheres tomam o controle e fazem isto sem mostrar os seus peitos.
Hmm, mas você produz boa parte do vestuário de sua personagem Alice. E é muito sexy!
É verdade que eu produzi alguns deles, e são roupas que a fazem atrativa, mas ela não abusa de sua sensualidade e é algo que estou orgulhosa. Em qualquer caso, creio que personagens assim é um bom passo para melhorar a imagem das mulheres num gênero onde os homens sempre estão dominando.
Aos críticos do cinema, porém, não parece entusiasmá-los este tipo de filme…
Se uma de minhas fitas de ação consegue uma boa crítica, provavelmente será um desastre de bilheteria [risos], mas é assim que me sinto pessoalmente satisfeita. Não faço destas aventuras algo para parecer intelectual, nem pretendo que a gente filosofe sobre o que vimos, exceto a diversão. E mais de 300 milhões de dólares, creio que é uma boa prova de que o público passa bem.
Além da interpretação e o vestuário, você se interessa por outros polos criativos no cinema?
Eu nunca pensei em outro tipo de crédito, mas eu planejo as roupas, dou forma à personagem e pode ser que alguns de meus ocasionais pesadelos com zumbis acabem formando parte do roteiro… Eu não creio que eu poderia escrever um texto ou dirigir algo do tipo, embora seja possível que dirija um curta nos próximos meses.
Você vai dirigir algo, neste caso?
Talvez. Há uma oferta duma produtora italiana que já desenvolveu projetos com pessoas que não possuem necessariamente experiência com direções. Aconteceria em Nápoles*. Quando recebi a proposta, imediatamente tive uma ideia para um curta; e quanto mais penso nele, mais passo a gostar.
Qual a área em que está mais satisfeita de fazer?
Creio que a artística. Sempre gostei muito de desenho e ilustração. Foi um dos primeiros em que me senti orgulhosa. Depois, o que mais me deixou feliz foi gravar o meu primeiro e único disco, com 16 anos. Foi um grande momento, porque fui capaz de expressar os meus sentimentos.
A música ainda te interessa?
Sim, na verdade eu estou gravando um disco neste momento. A música é importante para mim desde pequena. Na verdade, quando os meus pais chegaram aos Estados Unidos [a família da atriz emigrou-se da União Soviética por motivos políticos] tiveram que trabalhar em qualquer coisa para chegar à frente, incluindo como empregados domésticos. Mas a minha mãe era uma atriz com muito talento, tal que desde pequena ela se empenhou a ensinar-me aquilo que mais amava: atuar. Porém, para mim a interpretação não me atraía em nada. Por isso, a música, nesse contexto, foi um alívio, uma disciplina criativa onde eu sentia-me livre e confortável.
É surpreendente ouvi-la dizer isto, quando já possui quase 40 anos de carreira.
Creio que há quem nasce com um talento inato para se beneficiar de suas experiências e mostrá-lo, mas eu não. Antes de participar em O Quinto Elemento, eu não entendia o que era atuar. Desde este filme, onde trabalhei com um bom coach** de atores, compreendi muitas coisas. Deixei de sentir-me estúpida e de achar que todo mundo iria rir de mim. Abandonei o medo.
O Quinto Elemento (Luc Besson, 1997) foi então o ponto de inflexão em sua carreira?
Minha trajetória anda em progressão. Embora no princípio não fosse minha eleição, senão a de minha mãe. Na verdade, quando eu era muito pequena queria ser egiptóloga! A música me fazia muito feliz, mas não funcionou; tampouco o desenho, o que me dediquei durante um tempo. Desfrutava produzindo roupas com minha sócia [Carmen Hawk], mas me custou muito manejar o lado empresarial. Agora, sem dúvidas, eu encontrei a fórmula perfeita: crio para a Marella, algo que aprecio, e eles são fantásticos nos negócios.
Notas:
* Nápoles é uma pequena região da Itália
** “Coach de atores” é um método utilizado em atuação que visa ajudar ambos os envolvidos a aprimorarem e ajudarem as pessoas para atingirem os seus objetivos profissionais. No caso apresentado por Milla, isso implica conhecer melhor o ator/atriz e auxiliá-lo/auxiliá-la a desenvolver o trabalho de seu personagem.